Enxertos e oxigenoterapia hiperbárica – opção para melhorar o prognóstico das reconstruções?



A reconstrução de defeitos ósseos extensos é de grande importância para a reabilitação e melhoria da qualidade de vida de indivíduos mutilados por cirurgias ressectivas, grandes traumatismos ou mesmo por extensa reabsorção óssea. A abordagem dessas reconstruções normalmente é feita através de enxertos ósseos autógenos vascularizados ou livres, com resultados satisfatórios, sendo os enxertos livres de crista ilíaca os mais utilizados. No entanto, defeitos ósseos extensos ainda constituem um grande desafio, devido à maior possibilidade de complicações e menor previsibilidade de reabsorção do enxerto, o que pode dificultar, ou mesmo impedir, a posterior instalação de implantes e a conclusão da reabilitação. A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) surge, neste contexto, como uma excelente alternativa complementar para as reconstruções ósseas, melhorando o prognóstico e aumentando a previsibilidade dos grandes enxertos. Consiste na administração de oxigênio a 100% em uma pressão ambiente bem maior (geralmente próxima de 2,5 ATA) do que a encontrada ao nível do mar, realizada no interior de câmaras hiperbáricas que podem ser individuais (hospedando apenas um paciente) ou múltiplas (com capacidade para hospedar vários pacientes). Estudos histológicos realizados em animais demonstram resultados favoráveis quanto à aceleração da incorporação do enxerto ósseo, quando comparados a grupos controles que não foram submetidos ao protocolo de oxigenação. Outras vantagens, como a maior capacidade de preenchimento de defeitos ósseos e uma maior quantidade de osso neoformado, também têm sido relatadas. A ação fisiológica da OHB tem como alvo tecidos em estado de hipóxia, ou seja, menor Pressão de Oxigênio (PO2) em relação aos outros tecidos, exatamente como acontece nos enxertos ósseos, logo após sua execução. Durante as sessões no interior da câmara, ocorre um estado de hiperoxigenação com elevação da PO2 em todos os tecidos do corpo. Logo após o término da sessão, em poucos minutos, a PO2 retorna aos níveis normais e ocorre a liberação de mediadores químicos que estimulam a síntese de colágeno e aceleram o processo de angiogênese e osteogênese, favorecendo a incorporação do enxerto pelo aumento da vascularização e diminuição do potencial de reabsorção, além de estimulo à atividade leucocitária e efeito bactericida e bacteriostático. Os benefícios fisiológicos desta terapia complementar têm melhorado o prognóstico das reconstruções com enxertos ósseos, propiciando melhoria do osso enxertado não apenas em quantidade, mas também em qualidade, o que favorece a reabilitação com implantes dentários, propiciando melhor estabilidade primária e favorecendo a aplicação de carga imediata. Uma das questões mais pertinentes, no atual estágio de aplicação dessa terapia, refere-se ao número e frequência de sessões necessárias para a obtenção de resultados, uma vez que a técnica demanda tempo (cada sessão dura em torno de 90 minutos) e custos. Dessa forma, quanto menor o número de sessões necessárias, maior seria a aplicabilidade da técnica. Temos indicado em torno de 30 sessões de OHB para os pacientes submetidos a grandes reconstruções, mas estamos também empenhados na realização de pesquisas que possam reduzir esse número e facilitar a aplicação em um número maior de pacientes e situações clínicas. Independentemente dessas dúvidas, as informações disponíveis na literatura demonstram uma clara vantagem no tratamento desses pacientes, colocando esse procedimento como uma excelente ferramenta para nos ajudar nas grandes reconstruções.


Artigo retirado de: http://www.inpn.com.br/Materia/DiscutindoMerito/1164

#Enxerto #OxigenoterapiaHiperbárica

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