Uma esperança hiperbárica para pessoas com fibromialgia



As mulheres que sofrem de fibromialgia beneficiam com um plano de tratamentos em câmara hiperbárica de oxigénio, segundo investigadores da Rice University, em Israel. Um estudo clínico envolvendo mulheres diagnosticadas com fibromialgia, demonstrou que todas melhoraram, em termos de dor, após 2 meses de terapia com oxigénio hiperbárico*. As ressonâncias magnéticas efectuadas ao cérebro antes e depois do tratamento confirmaram a teoria de que condições anormais nas áreas do cérebro relacionadas com a dor, podem ser responsáveis pela fibromialgia.


Os resultados do estudo aparecem na revista Plos One.


A fibromialgia é uma síndrome de dor crónica que pode ser acompanhada por - e talvez relacionada com - outras condições físicas e mentais que incluem fadiga, disfunção cognitiva, síndrome do intestino irritável e distúrbios do sono. Mais de 90% das pessoas diagnosticadas com a síndrome são mulheres, diz Eshel Ben-Jacob, professor adjunto de bio-ciências na Universidade Rice, investigador sénior no 'Rice's Center for Theoretical Biological Physics' e professor de física e membro do 'Sagol School of Neuroscience', na Universidade de Tel Aviv. Eshel Ben-Jacob é o autor principal do estudo para prova de conceito*, que desenvolveu o método analítico usado para mostrar a associação entre a melhoria dos pacientes e as mudanças nos seus cérebros.

"Os sintomas em aproximadamente 70% das mulheres que participaram têm a ver com a interpretação da dor nos seus cérebros", disse Ben-Jacob. "Elas são as que mostraram mais melhoria com o tratamento de oxigénio hiperbárico. Descobrimos mudanças significativas na sua actividade cerebral." Os cientistas ainda não conseguiram apontar a causa da síndrome, embora um outro estudo publicado na Plos One, tenha identificado um possível marcador baseado no ARN (ácido ribonucléico), para fazer um diagnóstico. Uma variedade de tratamentos, desde medicamentos até mudanças no estilo de vida, já foram experimentados para aliviar o sofrimento dos pacientes, com sucesso limitado, diz Ben-Jacob. "A maior parte das pessoas nunca ouviu falar de fibromialgia", diz Ben-Jacob, "e muitos dos que já ouviram, incluindo médicos, não admitem que é uma doença real. Aprendi com os meus amigos médicos que este não é o único caso de doenças nas quais as mulheres têm a maior percentagem de incidência, que sofre do cepticismo da comunidade médica e onde esta pensa se a doença será real ou não. No entanto, hoje em dia, há cada vez mais esforços para compreender o papel do género nestas desordens orgânicas." Investigadores do 'Sagol Center for Hyperbaric Medicine and Research' no 'Assaf Harofeh Medical Center' e na Universidade de Tel Aviv, estavam a estudar sequelas pós-traumáticas de lesões cerebrais quando perceberam que a oxigenoterapia hiperbárica poderia ajudar pacientes com fibromialgia.

"Os pacientes que têm fibromialgia em conjunto com sintomas de pós-concussão cerebral, conseguiram a completa resolução dos sintomas", disse o Dr. Shai Efrati, neurocientista, que referiu que a sua própria mãe sofre desta síndrome. Efrati é o principal autor do estudo, chefe da unidade de investigação e desenvolvimento no 'Assaf Harofeh Medical Center' e membro da 'Sagol School of Neuroscience' da Universidade de Tel Aviv. As câmaras de oxigénio hiperbárico, que expõem os pacientes a oxigénio puro a uma pressão superior à atmosférica, são normalmente usadas para tratar embolias, queimaduras, envenenamento por monóxido de carbono e doença da descompressão rápida, entre várias outras condições. Um dos efeitos desta exposição é transferir mais oxigénio para a corrente sanguínea do paciente que, por sua vez, o leva até ao cérebro. Estudos prévios feitos por Efrati descobriram que a oxigenoterapia hiperbárica induz neuroplasticidade o que leva à reparação das funções cerebrais prejudicadas de forma crónica e à maior qualidade de vida para os pacientes que tiveram um acidente vascular cerebral ou uma leve lesão cerebral traumática, mesmo anos depois da ocorrência.


Ben-Jacob disse que dois pacientes específicos impulsionaram este estudo.

Uma é uma estudante da Universidade de Oxford que desenvolveu fibromialgia depois de sofrer um traumatismo cerebral num desastre de comboio. "Por sorte, a secretária do departamento onde ela trabalhava era a mãe de uma das enfermeiras encarregadas desta terapia. Ela disse-lhe que tinha de experimentar este tratamento", referiu Ben-Jacob.

Outra é uma professora de sociologia, especializada em stress pós-traumático devido a abusos infantis. Esta professora já sofria de fibromialgia há muitos anos. Os sintomas pioraram durante a fase inicial do tratamento - o que aconteceu também a outros participantes no estudo que a professora referiu que tinham memórias suprimidas devido a abusos enquanto crianças - porém, no fim do tratamento, ambas as mulheres mostraram melhorias importantes, disse Ben-Jacob. Efrati referiu que alguns pacientes vão, provavelmente, necessitar de sessões de seguimento. "As anormalidades nas regiões cerebrais responsáveis pela dor crónica na fibromialgia podem ser despoletadas por diferentes eventos", disse, "por isso, a resposta a longo prazo pode ser diferente de doente para doente". "Aprendemos, por exemplo, que quando a fibromialgia aparece na sequência de um traumatismo craniano, podemos esperar remissão completa sem necessidade de tratamentos futuros. Porém quando o aparecimento é devido a outras causas os pacientes vão, provavelmente, precisar de terapia de seguimento, periodicamente."


O estudo clínico envolveu 60 mulheres diagnosticadas com fibromialgia, pelo menos dois anos antes. Doze deixaram o estudo por razões várias, ficando 48 pacientes que completaram o tratamento. Destes, 24 receberam 40 tratamentos, 5 dias por semana, durante 2 meses. Os tratamentos foram de 90 minutos em que os pacientes foram expostos a oxigénio puro a uma pressão duas vezes igual à atmosférica. Os outros 24 eram aqueles aos quais Ben-Jacob chamou um grupo de controle. Foram avaliados antes e depois de um período de controle do estudo e não mostraram quaisquer melhorias. Depois de concluído o estudo com o primeiro grupo, foram sujeitos ao mesmo tratamento e mostraram as mesmas melhorias, de acordo com os investigadores. Os investigadores referiram que, após o tratamento de sucesso, os pacientes reduziram drasticamente os medicamentos para a dor ou chegaram mesmo a eliminar as tomas. "As tomas de medicamentos aliviam a dor mas não tratam a doença, enquanto a oxigenoterapia hiperbárica reverteu os sintomas", escreveram os investigadores.


Efrati referiu que os resultados obtidos justificam um estudo mais aprofundado. "Os resultados têm uma importância significativa porque, ao contrário dos tratamentos correntemente usados para os pacientes com fibromialgia, a oxigenoterapia hiperbárica não tem por objecto a melhoria dos sintomas mas sim a causa - a patologia cerebral responsável pela síndrome. Isto significa que a reparação cerebral, incluindo até a regeneração de neurónios, é possível, até para condições de dor crónica existentes há muito tempo. Podemos e devemos apontar para este processo em qualquer desenvolvimento futuro de um tratamento."


Fonte: http://fibromialgiaempt.blogspot.com.br/2015/06/uma-esperanca-hiperbarica-para-pessoas.html

#fibromialgia #medicinahiperbárica

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